segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Passo de Passagem

Por um instante ninguém disse nada...
A Terra toda se calou...
Niguém ousou profeirir nem mesmo a mais silenciosa das interjeições...
Fez-se triste a tarde, e logo a noite se enveredou
As pessoas aos pouco se comunicavam, a beira do rio andavam quase que voando...
Era um passo maneiro e leve sem muitas intenções e explicações.
Apenas seguiam.
Sem saber porque sentiam um certo medo.
Um medo do escuro, do silêncio, das súbitas possíveis surpresas...
As pessoas iam e iam, caminhando sem saber por onde, nem pra onde...
Cada passo que se dava era como uma pluma que cai do céu sem intenção,
que cai e nem mesmo sabemos a quem pertencia...
mas que cai... e assim como o nosso trajeto, como a nossa vida, nosso futuro
...caminhamos...caímos...seguimos...
Alguns de um jeito atrapalhado, outros com mais certeza e precisão
Mas em verdade vos digo todos seguimos e é preciso coragem para não deixar de dar o segundo passo...e assim por diante...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Flexões e Reflexões

Minhas reflexões refletem na água do mar
e suas imagens saem planando no ar

Sem sentido, nem imaginação
muito menos lógica ou razão

...desfiz...

Tudo que estava em mim...

Nada fez minha vontade, conseguiu saciar minha sede
...nada foi tudo na minha reconstrução, na construção do EU...

As cores da aurora inundam a vida dos pobres,
eles sorriem. Pobre que tem um pouco de luz
já tem tudo...

As horas, o tempo, as limitações do nosso ser.
as barreiras que vencemos sem nem mesmo perceber
...

inundar, cair, não voltar ao início...

Seguir com os pobres...aqueles cheios de luz.
E sair iluminando a vida de outros pobres e voltando ao mar
e a nossa reflexão.

A flexão de nós mesmo em mudança
constante...imensa...continua...como uma onda...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Escrito

Números, regras e restrições
Horários, bombas e explosões
Tudo ligado, um corpo só
Garganta presa, a força e o nó

A vida atual é estress na certa
Correria, atropelo, visando uma meta
O tiro ao alvo, chegadas partidas
Pegadas nas nuvens, cansaço, fadiga

[...]

Mergulho

Mergulhei no som e ouvi uma flor
Cheirosa, tem cheiro e também tem sabor
Sabor de lavanda, aloe vera, amor
O som, o mergulho, o cheiro da cor

Imagens crescentes que emanam do nada
Viagens dementes, poças cheias d'água
Que molham no mundo os sapatos dos pobres
Os pobres coitados, calados e sóbrios



Cláudio Mattos

Sangrar

Sangro meus olhos conscientes
Rasgo meus defuntos ainda não mortos
Mortos sem emoção talvez. Pretos, inchados. Corvos
Ligo desde os cabelos a unha essa paixão incosciente

Essa vontade de gritar o que não se ouve
De bradar à lógica: Cala a boca!
De pintar o céu amarelo e verde
Sem imaginar o que foi, e o que houve

Desfaço tudo que há em mim
Jogo ao vento, rogo ao céus
Sopro meus pensamentos
e como a poeira saio voando

Pra onde? Não sei se vou
Pra que? Talvez nunca saiba
Depois que todos enloquecerem
Espero viver de novo...no vento

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O vento, A vida ...

Sopros sopranos, saltos supremos
Santos profanos, barcos sem remos...
O gozo da vida se esvai sem demora
A casa que fica a casa que chora...

O balanço do parque não fica parado
A criança que brinca e cai do alambrado!
O barulho da vida sumiu e não volta
Não há pessoas nas ruas, só muros e portas...

Se a luz ainda existe
podemos dizer:
Se os sopros sopraram
Sopre eles também você!


Cláudio Mattos

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Cores Sonoras De Nosso Viver Atônito

Cores, sons, barulhos e gritos.
Dispersos no ar, soltos na imensidão de nossa inconsciência.
Substâncias de amor a nos penetrar intensamente por todos os lados.
Porque no amor é assim, cada gesto, cada olhar, parece espada a furar nossas conchas
E que vai lá no fundo, bate na alma e traz ao final uma alegria inexplicável!

Mais sons, e cores se mostram ao anoitecer! Ao tecer da noite!
E o amor continua rasgando de uma maneira linda os corações!
Risos, Sorrisos ao luar!
Melodias loucas, calmas talvez
Jazzzzzzzzzz

O amor é isso, calma e plenitude!
Há também angústia, claro.

Música e sua infinitude de sons e alegria
Que se espalham preenchendo os vacuos tristes
De nosso silêncio, morbidez e frieza.
É tudo que faltava !

Luar branco e belo, beijando o mar
e se deliciando em suas ondas....